Alma dos animais além do túmulo

[pullquote align=”left”]Sobre a individualidade e erraticidade dos animais após a morte:[/pullquote]

– Deus, “a inteligência suprema e a causa primária de todas as coisa” , cria sem cessar. Uma de Suas criações é o Princípio Inteligente (PI), representado pela mônada que verte do fluido cósmico e que, contemplada com a eternidade(!), enceta longa rota evolutiva, estagiando inicialmente no mineral, a seguir no vegetal, depois no animal, daí ao hominal e, finalmente, no angelical;

– nos três primeiros estágios citados, a pouco e pouco cada PI irá se individualizando, percorrendo infinitos ciclos evolutivos, num e noutro plano da vida (o espiritual e o material), durante os quais será mantido, monitorado e guiado por Inteligências Siderais, responsáveis pela Vida, por delegação divina;

– nesses três reinos o PI gradativamente irá sendo equipado, por aqueles Protetores, de instinto e automativos fisiológicos , representando poderosos equipamentos para possibilitar-lhe a sobrevivência, nos rudes crivos que terá de superar, até humanizar-se, quando então, ainda com tais condicionamentos automáticos (que possibilitam o metabolismo), estará equipado de livre-arbítrio, inteligência contínua e consciência;

– à medida que ocorre a sua individualização, na extensa rota de experiências, no reino animal, o PI já tem uma alma, porém inferior à do homem ; assim sendo, é lícito deduzir que revestindo essa alma há um corpo astral — o perispírito —, sutil, mas ainda material e sempre mais grosseiro do que o do homem.

[pullquote align=”left”]Tratando-se agora dos três reinos e em particular à morte dos animais, Kardec perguntou e obteve respostas claras, não passíveis de segunda interpretação.[/pullquote]

Resumindo essas respostas:

– minerais só têm força mecânica (não têm vitalidade); NOTA: Quer me parecer que essa força é a que mantém a agregação do átomo, que acompanhará o PI em toda a vasta fieira de experiências terrenas.

– vegetais são dotados de vitalidade e têm vida orgânica (nascem, crescem, reproduzem e morrem), além de serem dotados de instinto rudimentar;

– animais têm instinto apurado e inteligência fragmentária, além de linguagem própria de cada espécie; têm um princípio independente, que sobrevive após a morte; esse princípio independente, individualizado, algo semelhante a uma alma rudimentar, inferior à humana, dá-lhes limitada liberdade de ação (apenas nos atos da vida material); assim, pois, não têm livre-arbítrio;

essa “alma”, não sendo humana, não é um Espírito errante (aquele que pensa e age pelo livre arbítrio);

– ao morrer, cada animal é classificado pelos Espíritos disso encarregados; enquanto aguardam breve retorno às lides terrenas, via reencarnação, são mantidos em vida latente e sem contato, uns com os outros; ao serem reconduzidos a nova existência terrena são alocados em habitats de suas respectivas espécies.

[pullquote align=”left”]Aqui encerro o meu (incompleto) resumo do que consta em “O Livro dos Espíritos”.[/pullquote]

Respeitáveis autores espíritas, desencarnados, aduziram informações sobre esse tema. André Luiz, em particular, narra que vários animais são encontrados na Espiritualidade, como por exemplo aves, cães, cavalos, íbis viajores, muares. Alguns são “escalados” para tarefas diversificadas (cães e cavalos, na maioria das vezes, como se vê, respectivamente, em duas obras : “Nosso Lar”, Cap 33 e “Os Mensageiros”, Cap 28).

No Cap XII da já citada obra “Evolução em Dois Mundos”, André Luiz narra que após a morte os animais têm dilatado o seu “período de vida latente” no Plano Espiritual, caindo em pesada letargia, qual hibernação, de onde serão genesicamente atraídos às famílias da sua espécie, às quais se ajustam.

Essa informação considero-a fundamental para o entendimento de como os animais vivem no Plano Espiritual;

Kardec registrou que após a morte os animais são classificados e impedidos de se relacionarem com outras criaturas; André Luiz, agora, diz a mesma coisa, de outra forma, ao mencionar que os animais que não são destacados para alguma tarefa, entram em hibernação e logo reencarnam.

Na Espiritualidade os animais não utilizados em vários serviços, não têm vida consciente, mas vegetativa e isso responde à pergunta de como vivem lá: sem qualquer relacionamento, uns com os outros. Assim, não havendo ação de predadores inexistem presas; mantidos em hibernação não se alimentam, não brigam, não reproduzem, não se deslocam.

Como se nota na literatura espírita, as referências sobre animais na Espiritualidade referem-se, na maioria das vezes, a animais que podem ser denominados biológica e espiritualmente “superiores”. Raríssimas são as notas sobre aves, peixes, insetos ou sobre as incontáveis espécies extintas no planeta. Igualmente ralas, as anotações sobre a fantástica transição do animal (quais espécies animais?) para o hominal — o “elo perdido”, dos biólogos… Sem nos esquecermos da instigante citação, feita de relance por André Luiz, em “Nosso Lar”, em se referindo à existência, na Espiritualidade, dos parques de estudo e experimentação.

Keywison Fernandes Braga

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